Transtornos de ansiedade não são todos iguais: entenda as características de cada tipo
Os transtornos de ansiedade são os transtornos mentais mais comuns do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Eles normalmente surgem na infância ou adolescência e acometem mais mulheres do que homens.
Mas é importante saber que nem toda ansiedade é igual.
“O DSM-5 descreve sete tipos de transtornos de ansiedade. Entre eles, os tipos mais comuns na população são as fobias específicas, o transtorno de ansiedade generalizada, o transtorno de ansiedade social e o transtorno do pânico. O principal ponto que vai diferenciar esses transtornos é o foco da ansiedade ou quais situações ou estímulos vão deflagrar a ansiedade naquele indivíduo”, afirma Lucas Gandarela, psiquiatra e pesquisador no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (IPq/HCFMUSP).
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), da Associação Americana de Psiquiatria, é o documento que padroniza os diagnósticos dos transtornos mentais. De acordo com o médico, o diagnóstico diferencial é importante porque ajuda a compreender melhor o curso do transtorno e a direcionar o tratamento.
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Diferenças entre os transtornos de ansiedade
Veja as características dos principais transtornos de ansiedade:
- fobias específicas: ansiedade ou evitação de situações ou objetos específicos. O foco do medo pode ser variado: animais (como barata, lagarto, aranha), fatores ambientais (altura, tempestade), situações (elevador, avião, locais fechados), entre outros;
- transtorno de ansiedade generalizada: nesse caso, o indivíduo costuma se preocupar ou ficar excessivamente ansioso diante de situações cotidianas, como desempenho profissional ou acadêmico, saúde e conflitos interpessoais, por exemplo;
- transtorno de ansiedade social: a pessoa fica ansiosa ou evita situações que envolvam outras pessoas com medo do julgamento alheio, podendo apresentar sintomas físicos de ansiedade quando interage com os outros em situações como puxar conversa, pedir informação e até mesmo comer em locais públicos;
- transtorno de pânico: caracterizado por ataques de pânico que acontecem “do nada”: são episódios súbitos de medo ou desespero, que alcançam um pico em minutos, associados a diversos sintomas corporais (como taquicardia, sudorese, tremores e sensação de falta de ar);
- agorafobia: medo intenso ou evitação de situações ou lugares nos quais a pessoa se sinta presa ou não consiga pedir socorro, como locais fechados, filas e multidões.
Transtornos de ansiedade característicos da infância
Entre os transtornos de ansiedade descritos, existem dois que são específicos da infância:
- mutismo seletivo: normalmente ocorre em crianças com menos de 5 anos. Nele, a criança, mesmo com habilidade de fala e comunicação preservadas, não consegue conversar com pessoas que não sejam seus pais ou familiares próximos;
- transtorno de ansiedade de separação: costuma ficar evidente por volta dos 6 anos e ocorre quando a criança sente medo exagerado de separar-se dos cuidadores, além de ter uma preocupação excessiva com a ausência ou morte deles.
“A fobia específica e o transtorno de ansiedade social, apesar de não serem considerados transtornos específicos da infância e adolescência, costumam se iniciar nessa fase e, por isso, também devem ser levados em consideração”, esclarece o psiquiatra.
Segundo ele, a fobia específica costuma se iniciar por volta dos 8 anos de idade, enquanto a ansiedade social costuma se manifestar no início da adolescência.
Tratamento dos transtornos de ansiedade
“Com exceção dos transtornos fóbicos, cujo tratamento de escolha é a terapia cognitivo-comportamental, o tratamento de primeira linha para todos os transtornos de ansiedade pode ser tanto a psicoterapia cognitivo-comportamental quanto o tratamento medicamentoso”, afirma Gandarela.
No tratamento com medicamentos, os principais são os antidepressivos do tipo inibidores seletivos de recaptação de serotonina (como sertralina, escitalopram e paroxetina), destaca o especialista. “Essa escolha vai depender da preferência do paciente, da disponibilidade dos recursos, das experiências prévias de tratamento daquele indivíduo, da presença de outras doenças físicas, além da gravidade do quadro.”
Em casos moderados a graves ou na presença de outros transtornos, como depressão ou transtorno de uso de substâncias, o ideal é combinar as duas frentes de tratamento.
Cuidados vão além do tratamento
Além do tratamento em si, alguns hábitos podem auxiliar os pacientes a lidar com o transtorno de ansiedade, como praticar atividades físicas e aderir a práticas contemplativas, como yoga ou exercícios de atenção plena (mindfulness).
“Além disso, ter cuidados com a higiene do sono, evitar o consumo excessivo de cafeína e de outras substâncias com potencial de abuso, como álcool, cigarro e maconha, são medidas importantes no cuidado da ansiedade”, conclui o psiquiatra.
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Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de drauziovarella.uol.com.br.